movimento nova cena

Agentes culturais delegados da Conferência Municipal de Cultura de BH esclarecem polêmica sobre Moção de Apoio à ocupação da Câmara Municipal e à Assembléia Popular Horizontal

Posted on: 19/07/2013

Moção de Apoio à ocupação da Câmara Municipal de BH e reconhecimento da Assembleia Popular Horizontal de Belo Horizonte como legítima representante dos mais diversos movimentos sociais, tendo como uma de suas instâncias de debate e construção de reivindicações políticas o Comitê Popular de Arte e Cultura de Belo Horizonte.

Sessão da Assembleia Popular Horizontal de Belo Horizonte em ocupação na Câmara Municipal.

Belo Horizonte, 19 de julho de 2013.

Após tomarmos conhecimento da recente troca de emails anexada ao final dessa carta, feita numa ampla lista de produtores teatrais e replicada via internet, com o desejo de elucidar (trazer para a luz, para a lucidez) alguns equívocos sobre o encaminhamento e o conteúdo da Moção de Apoio copiada acima, nós, proponentes do referido texto que, após ser encaminhado com 25 assinaturas à mesa da Conferência Municipal de Cultura no último dia 6 de julho, foi aprovado pela plenária final por ampla maioria, tornamos público nosso posicionamento sobre o assunto e respondemos aqueles que se sentiram ofendidos por tal iniciativa.

Moção:  ação ou efeito de mover; movimento. Impressão moral que qualquer acontecimento produz no espírito; comoção, abalo. (fig) Inspiração divina. Proposta apresentada numa assembleia deliberativa por um de seus membros. Moção de ordem: toda questão que se pode suscitar em qualquer estado da discussão numa assembleia.  (…) F. lat. Motio. (Dicionário Caldas Aulete, volume 3)

Prezados Senhores,

Após lerem o texto acima poderão os senhores verificar que não se diz de uma moção, caso assinada pelo número que se considera representativo de pessoas aprovado em plenária, que “foi aprovada uma moção”. Ninguém aprova ou não uma moção. Ela diz do que pensa o grupo que a assina. Ela não precisa “estar na pauta pra ser aprovada”, tampouco ser “foco da Conferência”.

Uma moção é uma moção é uma moção e é uma moção.

É extraordinária por excelência. Daí sua beleza, singularidade, daí sua dose de lirismo, sua possibilidade de fuga do que está no programão, nos desculpem os pragmáticos. Pra que burocratizar a intenção de uma manifestação? Façam moção contrária e pronto! Tanto faz se é no início, no meio ou nos “15 minutos finais”.  Por respeito ao regimento daquela Conferência, o texto, que no final da manhã já continha as 25 assinaturas necessárias, só foi apresentado na plenária final.

Uma moção não busca a totalidade, é apenas uma moção.

O que se busca, pelo totalitarismo, é exigir que o GRUPO que colocou a moção peça para a mesma ser retirada de forma que não conste do documento final da CONFERÊNCIA esse arranjo” (sic sic sic, tsc tsc tsc), “…de forma que não conste…”. De novo: “…de forma que não conste…” Batalhar pelo apagamento de vozes que cumpriram todo o ritual burocrático (ops, democrático!) para se fazerem ouvidas… que cheiro de 68 (no mau sentido – o AI5 apareceu neste ano). O número de 25 assinaturas foi aprovado em plenária! Houve discussão, votação e, pronto! Se isso era um meio de um grupo de pessoas articuladas (isso não é pecado! Pessoas se articulam, isso é viver!) para “colocarem questões que não eram foco da conferência”, qual o problema?

Esse é o papel da moção!

Agora, vamos ao mérito da moção: reconhecer a legitimidade e apoiar a Assembleia Popular Horizontal em sua ocupação na Câmara Municipal de BH: apoiamos incondicionalmente! Apoiamos existencialmente! Apoiamos poeticamente! Nós, que assinamos o documento. O município é o foco, afinal. É em cada cidade que a mudança de paradigma começa. É por isso que muitos de nós somos conselheiros. E se ainda resta alguma dúvida: reconhecer a Assembleia Popular Horizontal como legítima representante dos mais diversos movimentos sociais não implica em deslegitimar ou desvalorizar todas as outras instâncias democráticas existentes. Há espaço na democracia, não só para a diversidade, como também para diferentes formas de atuação política.

Conheço esta cidade

como a palma da minha pica.

Sei onde o palácio

sei onde a fonte fica.

(…)

Ser, eu sei .Quem sabe,

esta cidade me significa.

Paulo Leminski

Entre a fonte e o palácio, queremos viver bem, queremos que as decisões da polis sejam horizontais, queremos que os vereadores saibam disso!!! Que brios anti-ocupação são estes? Qual é a etiqueta para se protestar? Entre quatro paredes, nos gabinetes? No bar da esquina? Ou num acampamento no cerne do legislativo municipal, fazendo avançar pautas atrasadíssimas, apresentando outras e tudo ao vivo pela internet! Sem cortes, sem música de fundo, sem comentários de âncoras e jornalistas moralistas.

Os que assinaram a moção pensam assim. E fim. Quem quiser que faça outra.

Anna Flávia Dias Salles – Conselheira Municipal de Cultura – Segmento: Audiovisual

Cida Falabella – Conselheira Municipal de Cultura – Segmento: Artes Cênicas / ZAP 18

Gustavo Bones – Grupo Espanca! / Movimento Nova Cena

Gustavo Falabella Rocha – ZAP 18

Leonardo Lessa – Grupo Teatro Invertido / Movimento Nova Cena

Maria Rita Fonseca – Grupo Teatro Invertido / Produtora Cultural

Mariana Câmara – Atriz e produtora cultural

Mariana Maioline – Paisagens Poéticas / Movimento Nova Cena

Rafael Barros – Conselheiro Municipal de Cultura – Regional Centro-Sul

Robson Vieira – Grupo Teatro Invertido / Movimento Nova Cena

Ronaldo Janotti – Cia 5 cabeças / Movimento Nova Cena

 

TROCA DE EMAILS ——————————————————————–

Caro Filiado,
Divulgo email recebido de Adriana Banana pois o sentimento o mesmo do dela.
A História é a partir de uma MOÇÃO que tenha sido aprovada na CONFERÊNCIA MUNICIAPL DE CULTURAL já nos ultimos momentos e que reconhecia como legitimo o MOVIMENTO HORIZONTAL BH (que  o SINPARC desconhece)    e inclusive apoiava a invasão da câmara e sua representação  do setor cultural da cidade.

Veja abaixo se você também é um MERDA DA CULTURA DE BH – Eu já vi que sou.

RÔMULO DUQUE
SINPARC.

——-Mensagem original——-

De: adriana banana
Data: 16/07/2013 17:28:27
Para: sinparc@sinparc.com.br
Cc: Anibal Henrique de Oliveira Macedo;  Presidência – Câmara Mineira do Livro;  Pedro Paulo Cava;  SATED Minas Gerais;  VALEMAIS – Instituto Sociocultural do Jequitinhonha;  Sula Kyriacos Circo;  Tuca;  Regina Amaral;  forumdancamg@googlegroups.comdanca-minas@googlegroups.com minas;  rogerio@amm-mg.org.br;  Pedro Olivotto;  Olavo Romano;  Marco Gaspar CDL;  dança minas;  Magdalena Rodrigues – Sated-MG;  Fernando Bardosa COMUC;  Casa dos Quadrinhos;  angeloflores@assemp.org.brcontato@icam.org.br;  Aluiser Malab;  AB Buritis FATIMA Gottschalg
Assunto: nós os merdas da cultura de BH e MG

rômulo,
vc tem uma cópia da moção?

e, quem é o grupo que se articulou para isto?

e, no final das contas, todos nós que estamos nos organizando a muitas décadas somos uns merdas?
nós que, nos articulamos a décadas, gastando tempo, dinheiro e trabalho, para termos um Conselho Municipal e um Estadual e, que fomos eleitos em conformidade com a lei, de forma decente, aberta, democrática somos uns merdas? Esta é a minha conclusão, alguém concorda?

nós voluntários, conselheiros do município, do estado e da federação somos uns merdas, certo? Esta é a minha conclusão, alguém concorda?

somos uns merdas porque, sem tirar nenhum dos méritos do, o Movimento Popular Horizontal que tem apoio do setor cultural (qual setor?) é “a” instância representativa dos movimentos sociais e do setor cultural em diversos níveis de representação, se pretendem totalizantes e absolutos em sua representatividade. isso é corroborado com a tal moção na conferência. Somos uns merdas, alguém concorda?

no entanto, fica aqui a pergunta, de nós os merdas da cultura: se o Movimento Popular Horizontal é tão democrático assim, por quê não entrou com a pauta da moção no início dos trabalhos da Conferência, de forma limpa, clara e verdadeiramente democrática? Por quê esperaram se esvaziar a plenária e colocaram, de forma súbita, tal moção?

adriana banana, uma das merdas da cultura mineira e belo horizontina
“Movimento Popular Horizontal tem o apoio do setor cultural para invadir a Câmara Municipal e é instância representativa dos movimentos sociais e do setor cultural em diversos níveis de representação.

Em 16/07/2013, às 12:59, sinparc@sinparc.com.br escreveu:

Adriana,

Eu participei da CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA até o inicio dos trabalhos dos GRUPOS. No segundo dia parte da tarde.

A Questão de   “Movimento Popular Horizontal tem o apoio do setor cultural para invadir a Câmara Municipal e é instância representativa dos movimentos sociais e do setor cultural em diversos níveis de representação.”  Colocada como MOÇÃO nos últimos minutos da conferência não era parte da pauta da conferência.

Isso foi uma articulação do Grupo que esta neste movimento.  Na hora da discussão do REGIMENTO da Conferência, eles inclusive tentarão aprovar que Moção não precisasse de assinaturas de apoio como determinava o REGIMENTO.
O SINPARC se posicionou contra isso e conseguimos alterar a proposta deles . Mas fecharam que precisaria de 25 assinaturas e não percentual de pessoas como previa o regimento.

Ou seja já estavam se preparando para colocarem questões que não eram foco da conferência.

Acho que o melhor caminho a tomar é exigir que o GRUPO que colocou a moção peça para a mesma ser retirada de forma que não conste do documento final da CONFERÊNCIA esse arranjo.

Um abraço,

ROMULO DUQUE

——-Mensagem original——-

De: adriana banana
Data: 15/07/2013 23:47:09
Para: Sinparc
Cc: Anibal Henrique de Oliveira Macedo;  CEM Editoras Mineiras Atendimento;  Presidência – Camara Mineira do Livro;  Pedro Paulo Cava;  SATED Minas Gerais;  VALEMAIS – Instituto Sociocultural do Jequitinhonha;  Sula Kyriacos Circo;  Tuca;  Regina Amaral;  forumdancamg@googlegroups.comdanca-minas@googlegroups.com minas;  rogerio@amm-mg.org.br;  Pedro Olivotto;  Olavo Romano;  Marco Gaspar CDL;  MAgdalena Rodrigues entidadesSATED;  Fernando Bardosa COMUC;  Casa dos Quadrinhos;  angeloflores@assemp.org.br;  Amilcar MArtins Patrimonio;  Aluiser Malab;  AB Buritis FATIMA Gottschalg
Assunto: Re: Moção aprovada na ConferÊncia Municipal de Cultura

SINPARC,
minha pergunta é alguém do SINPARC estava lá até o final da reunião do Conselho? E, 2 confirmam se sim ou não para o que eu disse? que não estava na pauta a questão do movimento democrático horizontal?

adriana banana

Em 15/07/2013, às 23:40, Sinparc escreveu:
Esta moção nao tem sentido nenhum. O conteúdo extrapola o objetivo da conferencia . Mas o que se pretende mostra bem que alguns estão querendo estabelecer uma forma de representação na marra. A solução e desconsiderar e repudiar este artificio de usar moção para beneficio próprio.

Enviado via iPhone

Em 15/07/2013, às 23:08, adriana banana <adriana@fid.com.br> escreveu:
sai nos “20 minutos” do último tempo da conferência. ou seja, nem sabia que seria proposta tal moção.
estou sem entender o que aconteceu porque durante a conferência, essa matéria não estava na pauta para ser ou não aprovada. não?
quem estava lá, tinha isto na pauta?
adriana banana

Em 15/07/2013, às 19:11, Anibal Henrique de Oliveira Macedo escreveu:
Amigos, gostaria da sua opinião.
Não faço juízo de valor, mas quero ouví-los e entender o que entendem sobre o assunto!

Aos 15 minutos no segundo tempo da prorrogação da Conferência Municipal de Cultura, tendo em planária apenas 70 pessoas, foi aprovada uma moção especial.

Nela, foi aprovado o texto dizendo que o Movimento Popular Horizontal tem o apoio do setor cultural para invadir a Câmara Municipal e é instância representativa dos movimentos sociais e do setor cultural em diversos níveis de representação.

Isso será publicizado amanhã!

Abraço

Anibal Macedo
Conselheiro Municipal de Cultura de Belo Horizonte
Conselheiro Estadual de Cultura
Segmento Literatura

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