movimento nova cena

sobre o Conselho Municipal de Cultura: perguntas e esclarecimentos

Posted on: 02/08/2011

Temos acompanhado o caloroso debate acerca do processo de implementação do Conselho Municipal de Cultura. As discussões começaram quando Cida Falabella colocou seu nome como candidata a representante das Artes Cênicas no órgão e, depois disso, seguiram-se diversas manifestações de artistas sobre o processo que se encerra no próximo domingo. Provavelmente, grande parte dos fazedores de teatro da cidade está acompanhando o debate, uns com mais, outros com menos conhecimento da mobilização que culminará nos dias 11 e 18 de setembro, com a eleição dos 15 representantes da sociedade civil (6 representantes de segmentos artísticos e 9 cidadãos eleitos nas regionais administrativas).

É com alegria que o Movimento Nova Cena percebe que diversos parceiros de diferentes gerações do teatro mostram apoio à candidatura de Cida Falabella ou às posições que temos tomado desde que fundamos o Movimento, em 2010. Estamos falando de pessoas inegavelmente respeitadas por todos e que foram responsáveis pela formação de diversos artistas e cidadãos da cidade, como Ângela Mourão, Luis Carlos Garrocho, Chico Pelúcio, Ione de Medeiros, Guilherme Marques, Marcos Vogel, Mônica Ribeiro, Marcelo Bones, João das Neves e tantos outros. Esses profissionais têm acompanhado nossas ações, alguns deles já estiveram presentes em nossas reuniões, e ajudam a tocar o Barco com críticas, idéias, sugestões, provocações textuais ou às vezes com um simples “é isso aí, meninos!”.

Acompanhamos também com receio e tristeza, afirmações levianas de que o Movimento Nova Cena é contrário à atuação das entidades representativas do teatro. Sempre buscamos dialogar, compor e agregar forças a essas entidades, por considerar seu histórico de luta, de conquistas e sua importância para todo o teatro da cidade. Consideramos que as entidades são muito mais do que legítimas, são fruto da resistência e da garra de artistas e produtores engajados e corajosos. Graças a eles e elas, podemos nos organizar para fortalecer a Cultura de BH e ir adiante. Junto do SATED, SINPARC E MTG, garantimos a realização do FIT em 2010; com o apoio do SATED realizamos duas manifestações, inclusive a que culminou num aumento de 40% da verba da Lei Municipal de Incentivo à Cultura; estivemos em inúmeras reuniões convocadas conjuntamente pelo Nova Cena, SATED e MTG, na Fundação Municipal de Cultura, na Secretaria de Estado de Cultura, na FUNARTE-MG, na Câmara dos Vereadores; debatendo e exigindo melhorias nas políticas para a Cultura da cidade, de Minas e do Brasil.

Com relação ao Conselho Municipal de Cultura, o que defendemos publicamente é que as entidades não são a ÚNICA maneira de representação legítima existente. Sabemos que existem vários artistas, grupos e produtores, que não se sentem representados por essas instituições ou que optaram por outras maneiras de organização, militância e ação. Julgamos que excluir esses agentes do processo de eleição do primeiro Conselho de Cultura da cidade seria uma forma de limitar a participação da sociedade civil e privar cidadãos de exercerem um de seus direitos mais básicos: o de votar e ser votado.

É preciso esclarecer que Rodrigo Barroso, Diretor de Ação Cultural da FMC, disse em reunião pública no Teatro Marília, que a FMC preferia discutir apenas com as entidades a ampliar o processo de participação, mas que essa posição tinha sido vencida na Comissão Paritária formada para revisão do Decreto que regulamenta o Conselho; e que a decisão de ampliar a participação foi tomada por representantes de todos os segmentos da cultura, não só do teatro, sendo o Nova Cena apenas uma das vozes favoráveis a isso.

Acreditamos que pautar o debate como um conflito geracional, um embate entre “novos” e “velhos” ou ainda entre “favoráveis” e “contrários” às entidades representativas, é reduzir uma discussão que, a nosso ver, deve servir para ampliar a mobilização política, incluindo o maior número de pessoas na construção de um Conselho, uma Cidade, uma Cultura, uma Nação realmente democráticos e participativos.

Ressaltamos ainda que o Movimento Nova Cena não é favorável à política pública da atual administração do município e que, de maneira geral, mantém uma posição crítica em relação ao governo Márcio Lacerda. Não podemos, porém, confundir um Governo com o Estado: o segundo é formado pelo governo (eleito democraticamente e provisoriamente no poder) junto com a sociedade civil, que deve se apoderar dos mecanismos de participação, deliberação e definição das políticas públicas. Estamos, portanto, abertos a construir coletivamente, apontar os erros e criticar as falhas, mas não deixaremos de vibrar com os acertos e as conquistas da sociedade e estaremos sempre presentes e dispostos a contribuir quando for possível.

Este Conselho não é o ideal. Todos, inclusive nós, cedemos ou fazemos ressalvas à sua composição ou funcionamento. Ao invés de brigar com rancor, por que não tentamos realmente debater? Por que disputar com sangue nos olhos ao invés de conversar com afeto? Quem pode participar deste processo: poucos ou todos? Em reuniões públicas ou em encontros fechados? Este será um Conselho de artistas ou para todos os cidadãos? Servirá para garantir privilégios ou assegurar direitos? Vamos gastar nossas forças alimentando essa visão de “um” contra “outro” ou vamos discutir nomes, idéias, possibilidades?

Temos apenas uma vaga para as artes cênicas: teatro, dança e circo. Mas o problema é outro: somos artistas, técnicos, produtores, arte-educadores, amadores e profissionais, fazemos teatro de grupo, teatro de bonecos, teatro infantil, besteirol, performance, comédia de costumes, circo tradicional, novo-circo, balé clássico, dança contemporânea, street dance… Como aglutinar ao invés de separar? Queremos construir juntos ou caminhar separados? Existem diferenças. Nós vamos respeitá-las ou feri-las?

Foi pensando nisso que o Movimento Nova Cena decidiu apoiar Cida Falabella em seu desejo de ser Conselheira das Artes Cênicas: por acreditar que ela é uma mulher admirada por todos; de idéias fortes mas sempre aberta ao diálogo. Sabemos que seu trabalho representa a relação do teatro com a comunidade em que ele está inserido e temos certeza de que a Cida vai defender os interesses da Cultura, sem deixar de ouvir nenhum teatro, nenhuma dança e nenhum circo da nossa cidade.

Conclamamos: cadastre-se até o dia 07/08 e participe do processo! Isso é democracia!

E convidamos: as reuniões do Nova Cena são abertas a qualquer interessado em discutir políticas públicas para o teatro. As discussões são horizontais e tornadas públicas através de nosso blogue. Pode chegar!

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